A nova era da Fórmula 1: Russell se impressiona com potência de 2026 e Bortoleto projeta evolução na Audi

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O início dos testes de pré-temporada no Circuito de Barcelona-Catalunha marcou, nesta semana, o pontapé inicial de uma das maiores revoluções técnicas da história da categoria. Com regulamentos de chassi e unidade de potência drasticamente alterados para 2026, as equipes começaram a desvendar os mistérios dos novos carros. Entre os destaques, George Russell, da Mercedes, mostrou-se surpreso com o desempenho dos bólidos, enquanto o brasileiro Gabriel Bortoleto inicia sua segunda temporada focado no trabalho duro com a recém-chegada Audi.

Primeiras impressões e velocidade bruta

Russell, que registrou o segundo tempo mais rápido no primeiro dia e completou expressivas 95 voltas durante a tarde, descreveu a experiência como reveladora. As novas regras trouxeram carros mais leves, curtos e estreitos, impulsionados por unidades capazes de despejar quase três vezes mais energia elétrica do que no ano passado.

O piloto britânico destacou a velocidade alcançada nas retas como um diferencial imediato. Observando os carros na pista, Russell comentou que, com a variedade de unidades de potência em ação, essa foi provavelmente a passagem mais veloz de um Fórmula 1 que ele já presenciou em Barcelona. A sensação ao volante também mudou. Segundo ele, a redução de peso é perceptível e coloca a categoria em uma direção positiva, tornando a pilotagem mais ágil em comparação aos modelos anteriores.

Desafios da eletrificação e o fim do DRS

Havia um certo ceticismo por parte de alguns pilotos quando testaram os modelos de 2026 nos simuladores no ano passado, especialmente sobre como recuperar energia nas frenagens e curvas. No entanto, a realidade da pista parece ter superado a expectativa virtual. Russell afirmou que, embora seja uma pilotagem muito diferente, o sistema se torna intuitivo assim que o piloto entende a dinâmica.

Essa mudança técnica promete alterar o espetáculo. Com a extinção do DRS (sistema de redução de arrasto usado desde 2011), a gestão da energia extra será crucial. Os pilotos terão um “boost” elétrico disponível durante toda a volta e um “modo de ultrapassagem” específico para os duelos roda a roda. O piloto da Mercedes acredita que os torcedores verão corridas mais emocionantes e que os pontos negativos temidos sobre a recarga de bateria não serão tão visíveis para quem assiste. Russell ainda celebrou a estética dos novos carros, admitindo que, após anos pilotando os modelos maiores introduzidos em 2017, os atuais parecem ter o tamanho ideal e um visual agressivo.

A mentalidade de Bortoleto na Audi

Enquanto a Mercedes acumula quilometragem, o brasileiro Gabriel Bortoleto encara sua segunda temporada na elite com a mesma seriedade de um estreante. Agora defendendo as cores da Audi — que assumiu oficialmente a operação da Sauber —, ele busca evoluir após terminar o campeonato de 2025 na 19ª posição.

Durante o evento de lançamento da equipe em Berlim, Bortoleto confirmou que não mudou sua abordagem. Para ele, títulos de “novato” na F3 ou F2 nunca foram o foco principal, mas sim o profissionalismo. A meta para 2026 continua sendo a preparação intensa e o aprendizado com os erros do passado. O brasileiro revelou uma dedicação quase obsessiva durante as férias: se dependesse dele, não haveria pausa de inverno. Ele confessou que, após apenas cinco dias com a família, já se sentia “inútil” e ansioso para voltar à fábrica e ao simulador, onde passava todos os dias possíveis.

Início dos testes

Na pista de Barcelona, o primeiro contato de Bortoleto com o carro da Audi teve percalços, mas o saldo foi considerado positivo. O brasileiro completou 27 voltas antes de ter seu dia encerrado prematuramente devido a um problema técnico. Apesar da interrupção, ele explicou que a parada foi apenas uma medida de precaução, mantendo o otimismo para o desenvolvimento do carro ao longo da pré-temporada.