Sem dinheiro da Copa do Brasil e Copa do Nordeste, Vitória da Conquista fará malabarismos para honrar fama de bom pagador
Por Igor Novaes
16:17 | 06/11/2019

Por: Guilherme Barbosa

Sem os subsídios da Copa do Brasil e da Copa do Nordeste, o Vitória da Conquista se prepara para fazer malabarismos em 2020 a fim de honrar com os seus compromissos financeiros. Com o Baianão e a Série D a serem disputados no ano que vem, o clube tem previsão de arrecadação total de apenas R$ 600 mil para todo o ano.

“Temos um calendário recheado, isso é importante para qualquer clube. Ficamos de fora (da Copa do Brasil) até de forma injusta, pela semifinal que fizemos, da maneira como foram aqueles dois jogos com o Bahia de Feira. O árbitro interferiu diretamente nos dois resultados, tanto aqui quanto lá”, analisa o presidente do clube, Ederlane Amorim. 

A renda do Vitória da Conquista, que já chegou a receber mais de R$ 1 milhão somente em cotas de participação na Copa do Brasil (1ª e 2ª fases) e Copa do Nordeste, em 2016, hoje se limita às cotas de patrocínio na camisa (hoje com 10 marcas), Plano de Sócio-Torcedor, bilheterias dos jogos como mandante, venda de camisas, Loterias, placas de publicidade e cota de TV (Campeonato Baiano). “Quando a gente não tem aqui a receita da Copa do Brasil e da Copa do Nordeste as dificuldades triplicam. Você não faz futebol sem dinheiro, você precisa ter bons jogadores, boa qualidade de trabalho, boa estrutura e tudo isso requer dinheiro”, explica Amorim.

Juntos, os patrocinadores presentes no uniforme do clube pagarão um valor total de R$210 mil durante todo o ano de 2020. O Plano de Sócio-Torcedor do Vitória da Conquista cobra valores que variam de R$300 a R$750 anuais (a depender do plano), com entrada garantida em todos os jogos do time como mandante. Serão no mínimo 12 partidas. A expectativa da diretoria do Bode é ter uma adesão de 500 torcedores ao Plano. Já a cota de TV, paga pela detentora de transmissão dos jogos do Campeonato Baiano, são de R$ 100 mil, pagos em 10 prestações.

A previsão de despesas aponta que, do montante arrecadado, R$ 200 mil serão gastos somente com as despesas extra-campo, ou seja, aquelas que não estão diretamente ligadas com o futebol, como o pagamento de impostos e salários do pessoal administrativo e equipe de cozinha, por exemplo. Sendo assim, sobram apenas R$ 400 mil para utilizar diretamente com o futebol, dos quais R$ 360 mil serão gastos com a folha salarial dos atletas somente no Campeonato Baiano, que começa na segunda quinzena de janeiro e termina em abril. Logo, o time terá apenas R$ 40 mil para as despesas com futebol no período da Série D do Campeonato Brasileiro, que acontecerá entre 3 de maio e 22 de novembro, com 7 fases.

Com a missão de manter a fama de bom pagador que o clube tem, o presidente Ederlane Amorim apostará na mesma receita de 2019: profissionalização de atletas amadores que se destacam no Campeonato Intermunicipal e parcerias com investidores que buscam vitrines para seus atletas. Arthur Caculé, meio campista que hoje está disputando a Série B do Campeonato Brasileiro pelo Londrina, é um exemplo de atleta que atuou pelo Bode no Baianão neste ano e alçou voos maiores.

Além de Caculé, o goleiro Geovane é exemplo de que a estrategia pode ser proveitosa para o Vitória da Conquista manter o equilíbrio em suas contas. O goleiro, hoje emprestado ao Bahia, chamou atenção da diretoria do Alviverde atuando pela seleção de Itamaraju, pela qual foi campeão do Campeonato Intermunicipal 2018.

“Isso acaba sendo uma necessidade agora para 2020 novamente. Temos essa situação de que as pessoas querem jogar aqui no clube, muitos empresários, investidores querem colocar jogadores aqui em nosso time porque sabe que tem uma camisa forte, sempre faz boas campanhas, é o time que mais fez semifinais, mais participou de Copa do Brasil, Série D”, diz Ederlane, orgulhoso da força da marca do clube.

O retrospecto do Vitória da Conquista com jogadores oriundos do Campeonato Intermunicipal no Campeonato Baiano de 2019 e com atletas oriundos de parcerias com investidores é animador. Com Geovane (ex-Seleção de Itamaraju), Fagner (ex-Seleção de Itambé) e Keynan (ex-Seleção de Itabuna), além dos jogadores vindo através de parcerias com investidores, como Arthur Caculé, o Bode chegou às semifinais do Baianão. 

Valorizado, Elias Borges é o treinador dos sonhos para 2020 – Apontado como um dos grandes responsáveis por fazer a mescla de profissionais experientes e jogadores oriundos do futebol amador funcionar bem, o treinador Elias Borges é tratado como peça chave para reeditar no Baianão a boa performance de 2019.

Técnico Elias Borges, o favorito para assumir o comando do Vitória da Conquista em 2020. (Foto: Diário de Sergipe).

Ederlane não nega, no entanto, que o entrave na negociação tem sido o salário do treinador, que além de ter sido Campeão Sergipano em 2018,  levou o Vitória da Conquista às semifinais do estadual em 2019 e conduziu o Doce Mel à 1ª Divisão do Baianão, o que deixou Borges bastante valorizado no mercado. “Estamos conversando há dias. Quando não o encontro, a gente se fala pelas redes sociais. Já fizemos uma proposta, ele fez uma contraproposta, está bem distante da nossa realidade. Mas esperamos que a gente possa, no decorrer deste mês. Está faltando o principal que é o valor financeiro, ele se valorizou muito”, detalha. “Não está descartado, é o nosso principal nome”, assegura Ederlane com esperança em um acordo com Elias.

Fechando negócio com Elias Borges ou outro profissional, o elenco do Vitória da Conquista se apresentará para iniciar os trabalhos da temporada 2020 no dia 2 de dezembro.

A situação pode melhorar – É bem verdade que a boa prática da administração não permite contar com uma vantagem que ainda não foi conquistada, mas nem tudo no horizonte do Vitória da Conquista é dificuldade. 

Bem aproveitado no time de transição do Bahia (jogadores que já passaram dos 20 anos e não podem mais atuar pelo Sub-20 e ainda não estão sendo aproveitados na equipe profissional), o goleiro Geovane provavelmente será negociado com o Tricolor, onde está por empréstimo. A previsão é de que entre dezembro e janeiro a equipe da capital Baiana adquira 80% dos direitos federativos do atleta junto ao Vitória da Conquista por R$ 250 mil, incrementando os cofres do clube em quase 50%.

Outro possível avanço que os cofres alviverdes poderão alcançar é uma herança. Distante e improvável, mas possível. Caso o Bahia consiga a classificação para a Copa Libertadores 2020, entraria para o hall de times pré-classificados para as oitavas de final da Copa do Brasil e o Vitória da Conquista herdaria a vaga graças à sua colocação no Baianão 2019. A conquista da Copa Libertadores pelo Flamengo também pode contribuir com a possível vaga do Bahia na Libertadores e, consequentemente com a classificação do Bode à Copa do Brasil. A herança financeira do Alviverde seria de pelo menos R$525 mil, somente por participar da primeira fase da competição.

“Matematicamente isso ainda é possível, se o Flamengo for campeão da Libertadores passa a ajudar mais ainda. Essa aí é uma outra oportunidade”, diz Ederlane sem perder as esperanças. Ele pondera, no entanto, que o foco do time está em trabalhar em cima do que depende de seu rendimento. “Tentar buscar dentro do Campeonato Baiano as nossas vagas para a Copa do Brasil e a Copa do Nordeste. Esse tem sido o nosso mote financeiro, a nossa principal fonte de recursos nos últimos anos”, aponta.

Parceria com Esquadrão – O Vitória da Conquista terá novo fornecedor de material esportivo. Os uniformes de jogo, concentração, treino e viagem dos atletas e comissão técnica serão produzidos pela Esquadrão, fábrica de material esportivo do Bahia. O fornecimento do material será em sistema de permuta. Além de expor a marca no uniforme, o clube dará prioridade ao Bahia na negociação de atletas da divisão de base do Alviverde.

Ederlane Amorim e o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani. Acordo entre ECPP e Bahia foi feito no ano passado. (Foto: redes sociais).

Os modelos dos uniformes de jogo, de acordo com o que foi apurado pelo Diário Esportivo, já foram desenvolvidos restando agora a produção. Os modelos já foram enviados a alguns patrocinadores e serão lançados em breve. 

Há ainda a possibilidade de abertura de uma loja na cidade com o material licenciado do Bahia e do Vitória da Conquista, produzidos pela Esquadrão.

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