O acordo entre Bahia e ECPP foi bom para os dois? Especialistas em marketing analisam
Por Igor Novaes
20:09 | 21/11/2019

Os termos da parceria envolvendo Vitória da Conquista e Bahia, através da fornecedora de material esportivo própria do clube tricolor, vem rendendo diversos comentários dos torcedores.

As opiniões estão divididas. Nas redes sociais, os comentários se dividem em apoios à parceria entre as duas agremiações e opiniões que afirmam um número maior de benefícios para o Bahia na negociação.

No acordo, como foi noticiado por Diário Esportivo, aqui e aqui, o clube conquistense passará a ter seus uniformes fabricados pela Esquadrão e também terá a possibilidade de explorar uma loja da marca na cidade, e em contrapartida, o tricolor terá a prioridade na venda de atletas revelados pelo Bode.

Novo uniforme 1 do Vitória da Conquista. (Foto: Roupa de Jogo).

Diário Esportivo conversou com dois especialistas em marketing esportivo: Arizinha Souza, colunista da página “Donas da Bola”, e o professor e consultor de gestão e marketing esportivo de Trevisan, IBMEC e Fundação Getúlio Vargas, João Henrique Areias, e eles analisaram o acordo entre os clubes.

“Analisando friamente, me parece que é muito mais favorável ao Bahia que ao Conquista, porque o Bahia vai ter prioridade na contratação dos atletas revelados pelo Bode, mas se você tentar ver com equilibrio, é muito mais fácil lançar esses atletas pra fora (do país), passando pelo Bahia, do que dentro do próprio Vitória da Conquista, porque o time normalmente só participa do Campeonato Baiano, as vezes a Copa do Nordeste, e então hoje o Bahia consegue fazer uma projeção maior até por nos últimos anos ter sido uma boa vitrine. Acaba sendo uma compensação financeira para o Conquista com uma possível venda do atleta pelo Bahia e para o Bahia que pode ter o atleta e depois repassa-lo”, disse Arizinha.

“Eu acho muito bom que os clubes de maior investimento façam algum tipo de parceria com os clubes de menor investimento. Aqui no Rio de Janeiro, eu gostaria muito que os quatro clubes grandes subsidiassem de alguma forma o campeonato da 3ª ou da 2ª divisão, porque é ali que os times fornecem jogadores para os grandes times e aí você tem uma contrapartida que é a prioridade da contratação desses jogadores, o futebol carioca estaria melhor”, comentou o Prof. João Henrique.

Esquadrão, a fornecedora própria do Bahia é a nova marca do Vitória da Conquista. (Foto: divulgação).

Sobre a utilização da marca Esquadrão pelo Vitória da Conquista, ambos tiveram a mesma linha de raciocínio.

“Sobre os uniformes é importante para os dois. A marca Esquadrão ganha uma expansão, que é o que alguns torcedores já vem pedindo, que é chegar no interior e chegar nos outros clubes, e ganha o Conquista porque vai ter um uniforme decente, bem produzido. No geral é uma relação equilibrada, ambos saem ganhando, mas ambos vão precisar se esforçar para isso, porque o Conquista podendo explorar a loja Esquadrão na cidade, vai ter que chamar público e quase que criar uma linha em que o Bahia vire o segundo time de alguns torcedores do Bode.”, comentou Arizinha.

“Essa questão do material esportivo é interessante. O material esportivo é o parceiro natural de qualquer entidade esportiva, então ao invés de simplesmente fornecer ou vender, uma parceria, como já é feita em Florianópolis, onde o Avaí produz o seu próprio material e para outros clubes do interior de Santa Catarina. São boas inovações.”, analisou João.

Sendo assim, de acordo com os especialistas ouvidos por Diário Esportivo, a parceria entre Bahia e ECPP não só está aprovada, do ponto de vista do marketing, como pode servir de modelo pelo Brasil.

Receba todas as notícias no seu WhatsApp!
Cadastre-se e faça parte da lista de transmissão do Diário Esportivo!